Silepse. S.f. 1. Gram. Figura pela qual a concordância das palavras se faz de acordo com o sentido e não segundo as regras da sintaxe. (...) 2. Ret. Emprego de uma palavra no sentido próprio e no figurado, a um só tempo. (Aurélio) SITE PESSOAL DO JORNALISTA CÉLIO OLIVEIRA

Segunda-feira, Março 06, 2006

Vamos ao trabalho

Por Célio Oliveira

O Brasil começa a trabalhar a partir de hoje. Até este fim de semana, desde as comemorações de fim de ano, tudo foi festa. Este aspecto é uma característica do brasileiro.

Mas este ano é um ano atípico (?). Teremos Copa do Mundo, em junho, e eleições, em outubro. E o que significa isso? Simplesmente festas. Brasileiro é um povo festeiro por natureza. Tem a capacidade de transformar datas importantes em festas.

Não sei se é algo que vem do nada, mas alguma coisa me diz que o Brasil não ganha esta Copa na Alemanha. O time praticamente já está escalado, mas a teimosia do Parreira é que me mata. Não vai levar o Rogério Ceni, preferindo apostar no frangueiro do Dida. Mas tudo bem.

Também não agüento mais ouvir e ver reportagens sobre Alckmin versus Serra. Os dois protagonizam uma imbecilidade sem tamanho. Será que acham que nós temos o nariz com os furos voltados para cima? Sim, porque isso não passa de uma jogada de marketing político.

Se o Lula está fazendo um bom governo também não sei dizer. Mas o fato é que é o único nome que sobra para se votar para a presidência da República. Com mensalão ou sem mensalão ele é o cara. Talvez nessa segunda chance ele se manca e governe para o povo.

Mas a verdade é que o Carnaval pegou fogo em todo o país. Teve o Galo da Madrugada em Recife, o Carnaval de blocos em Salvador e o título da surpreendente Vila Isabel, sem o Martinho, no Rio de Janeiro. Então, vamos esquecer as festas e voltar ao trabalho!

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

U2 In São Paulo

Por Célio Oliveira

Incrivelmente estonteante o show da banda irlandesa U2 na noite de ontem (20) no estádio do Morumbi, em São Paulo (foto), completamente lotado. Já fazia tempo que o Brasil ansiava por assistir a um espetáculo internacional de tamanha envergadura – a banda esteve aqui em 1998 e 2001.

Conheci as músicas de U2 em meados dos anos 80 quando alguns sucessos, como Sunday Bloody Sunday e New Year’s Days, começaram a estourar nas rádios daqui e a embalar a rapaziada nas baladas das faculdades. Naquela época não havia ainda a internet nem mesmo CD.

De lá pra cá a banda ficou um pouco fora da mídia – pelo menos da brasileira – e muita gente ficou sem conhecer alguns de seus hits. Mas como música é uma coisa extemporânea vai passando de geração a geração, tocando corações, mentes e abrindo paixões.

É importante lembrar que o advento do CD trouxe à tona muitas canções, artistas e bandas surgidos a mais ou menos vinte anos atrás e que estavam esquecidos do grande público. Daí o imenso sucesso de U2 entre adolescentes e jovens deste início de século.

Mas os caras do U2 fizeram mesmo bonito no Morumbi. A performance e a simplicidade de Bono Vox, que chamou ao palco um garoto para cantar e uma fã para dançar e a quem deu um selinho, foram fundamentais para enriquecer e fazer muito mais lindo o espetáculo Vertigo.

A guitarra maravilhosa de The Edge, o baixo pontual de Adam Clayton e a bateria trépida de Larry Mullen Junior completaram o som gostoso que todo o Brasil curtiu na noite de segunda-feira. Avante U2!!

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006

Justiça medíocre

Por Célio Oliveira

Quem confia ou dá credibilidade à justiça brasileira? Talvez muita pouca gente neste país. Aliás, poucos são os casos que, quando concluídos ou julgados, trazem a sensação de que a justiça foi realmente feita.

Chego a pensar que essa questão esteja ligada diretamente com o nepotismo no setor judiciário do país, muito embora a complexidade das leis seja verdadeiramente a grande responsável pela morosidade no andamento dos processos nos tribunais.

A legislação, que em muitos artigos, incisos e etc se conflita, é passível de mudanças. Mas o emprego de parentes de magistrados no poder judiciário parece ser coisa de difícil resolução.

Ontem (14) foi o último dia para que os tribunais demitissem familiares e parentes de juízes, desembargadores e outras autoridades que estivessem trabalhando nos tribunais de todo o país sem ter passado por concurso público. A gritaria foi geral e muitas ações foram impetradas contra as demissões.

Sinceramente é uma vergonha! Algumas dessas autoridades chegaram a dar depoimento aos meios de comunicação dizendo não ver problema algum em empregar filhos, mulher, tios, sobrinhos no judiciário.

Quanta cara de pau! E eles afirmam isso nas nossas barbas. E nós não temos a quem recorrer. Afinal, nem adianta reclamar na justiça, pois quem faz a justiça são eles mesmos. Será que isso não terá fim?

Terça-feira, Fevereiro 14, 2006

Lula se distancia de Serra

Por Célio Oliveira

Os principais sites da internet brasileira dão destaque à pesquisa CNT/Sensus, divulgada hoje (14), que aponta uma diferença de dez pontos percentuais de Lula (47,6%) sobre José Serra (37,6%) numa possível disputa eleitoral para a presidência da República.

A pesquisa também indica que o presidente petista melhorou o seu desempenho pessoal, alcançando 53,3% de aprovação este mês entre os entrevistados. Em novembro do ano passado, Lula tinha 46,7% de aprovação.

De acordo com alguns cientistas políticos, que deram depoimento aos meios da internet, a candidatura de José Serra estaria comprometida, uma vez que a mesma pesquisa revela que o prefeito de São Paulo tem um nível de rejeição muito alto (35,8%).

Como se sabe, ainda estamos bem distante das eleições de outubro e até tudo pode acontecer. Tudo, menos o crescimento da candidatura de Serra. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que já mostrou disposição em enfrentar Lula, seria a pessoa certa do PSDB a disputar a presidência com chances de crescer durante a campanha e forçar um segundo turno.

Pode até ser. Os tucanos têm nas mangas o episódio do mensalão, que poderia desgastar a candidatura petista. Mas também o tiro poderia sair pela culatra, já que ninguém agüenta mais ouvir falar desse escândalo quando se sabe que até agora nada de concreto foi feito para colocar os culpados na cadeia.

Então, Lula segue firme como líder na corrida presidencial. Como bem disse um dos cientistas políticos, apenas ele e, somente ele, está em campanha claramente. Além disso, tem a máquina a seu favor, uma economia estável e um programa social que distribui dinheiros aos pobres.

Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006

Primeiro bilhão de dólares

Por Célio Oliveira

As disparidades entre Brasil e Estados Unidos são mesmo um abismo imensamente enorme. E isso pode ser constatado em quaisquer estimativas sócio-político-econômica. Não poderia ser diferente quando o negócio se trata de internet.

Na quarta-feira (1), a e-bit, empresa de pesquisa e marketing online, divulgou que em 2005 os brasileiros gastaram um bilhão de dólares em compras pela internet. Nada mau para um país que no ano anterior registrou cerca de 900 milhões de reais em vendas online.

Mas a diferença entre o comércio eletrônico verde-amarelo e o norte-americano é deveras gritante. Enquanto comemoramos o nosso primeiro bilhão de dólares em vendas pela internet no espaço de um ano, somente no Natal passado as vendas na web americana alcançaram a marca de dez bilhões de dólares. Só no Natal!

Importante notar o fosso que separa a economia brasileira da americana. Entretanto, o resultado do comércio eletrônico no Brasil já começa a dar sinais de vitalidade. Parece que o brasileiro perdeu o medo de fazer transações a partir dos teclados de um computador. A e-bit projeta para este ano um faturamento de 3,5 bilhões de dólares.

Eu ainda não perdi o medo de digitar minhas senhas de contas bancárias e números de cartões de crédito na internet. Muito pelo contrário, já penso com uma maneira de morder um pedaço desse bolo.

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006

Pênalti digital

Por Célio Oliveira

Quem ouviu ou leu o recado que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, mandou ao presidente Lula sobre a decisão de escolha do melhor padrão para a implantação da TV Digital a ser adotado pelo Brasil não tem dúvidas do teor da mensagem. Ou Lula acerta ou escolhe o pior.

“Coloquei a bola na marca do pênalti para o presidente. Ele pode chutar e marcar um gol de placa, pode chutar devagar e a bola entrar de mansinho ou pode chutar para fora”, afirmou o ministro durante uma audiência na Câmara dos Deputados quando explicou como o governo vem trabalhando nos últimos para a implantação da TV Digital no país.

Lula tem três opções: escolher entre os padrões norte-americano, europeu e japonês. Destes, o último é o único que atende as exigências do governo brasileiro, pois permite a transmissão de imagens em alta definição, a portabilidade, a mobilidade e a interatividade.

Na semana que vem, Lula tem de bater o martelo, uma vez que o projeto prevê que a primeira transmissão experimental seja durante a Copa do Mundo, em junho. Vamos torcer para que desta vez Lula não tropece nas próprias pernas, chute a bola e faça um gol de placa. O Brasil merece sair do atraso tecnológico em termos de transmissão de imagens via TV.

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

O bom ditador

Por Célio Oliveira

Muita gente não gosta do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Acham-no um ditador, talvez por ser admirador de Fidel Castro, presidente de Cuba. Não penso dessa forma. Chávez é um defensor intransigente de sua terra, de seu povo. E têm idéias avançadas.

Ontem, durante o encerramento do Fórum Social Mundial, em Caracas, o presidente venezuelano convidou o movimento social a tomar o poder. Mas adiantou que é preciso que o movimento tenha absoluta compreensão do que significa “poder”.

Contudo, uma das mais importantes teses defendidas por Chávez foi sobre o perdão ou não das dívidas externas dos países pobres. O presidente da Venezuela entende que o movimento social deve esquecer a idéia da necessidade do perdão das dívidas e amadurecer a proposta de defender a nacionalização dos recursos naturais, como petróleo, gás e água.

Sem dúvidas, uma grande proposta! Segundo ele, a exploração desses recursos naturais traria muito mais dinheiro aos países pobres do que o simples perdão das dívidas. Sem mencionar que nessas condições cada nação estaria consolidando a sua soberania nacional.

Se ser ditador é isso, que Hugo Chávez o seja!

Quarta-feira, Janeiro 25, 2006

Luta de classes globalizada

Por Célio Oliveira

Dois eventos importantes movimentam o mundo esta semana: o Fórum Social Mundial, que este ano acontece em três continentes - Caracas (Venezuela-América do Sul), Bamako (Mali-África) e Karachi (Paquistão-Ásia) -, e o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). Do primeiro se diz que é o encontro de pobres, enquanto o segundo, é o dos ricos.

Em um mundo globalizado onde algumas nações aprenderam a conviver com a democracia, os dois fóruns representam, de forma ilustrativa, a luta de classes que Karl Marx tanto descreveu.

Considero as discussões que ocorrem nestes eventos de extrema importância. Pelo lado do encontro que representa as idéias da pobreza, na visão dos ricos, os ativistas de esquerda sempre empunham bandeiras antiimperalistas. Um ato nobre e imperioso (sem trocadilhos) quando se trata das vontades de Bush e Tony Blair.

Já pelo prisma do luxo e da riqueza dos endinheirados de Davos, as discussões, embora importantes, quase sempre soam frias e inócuas quando têm o foco no social. Não estão mesmo preocupados com os problemas dos países pobres. O que importa para eles são acordos que futuramente vão beneficiar as empresas multinacionais, que exploram a mão-de-obra das nações dependentes economicamente.

De todo modo, tais fóruns são exemplos de racionalidade e compreensão de diálogo. Chegam a refutar o uso da força na resolução de muitos problemas da humanidade.

Ah se Bush e Blair tivessem a capacidade de brigar no campo das idéias!

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

O otimismo de Lula

Por Célio Oliveira

O presidente Lula anunciou hoje: “2006 será um ano promissor para o país. A economia vai crescer, vai ter mais empregos, vamos fazer muito mais obras de infra-estrutura. Dentre essas obras de infra-estrutura, a questão do saneamento básico, a questão da água e a questão do emprego são coisas primordiais para o povo brasileiro".

Não me espanta esse discurso. Aliás, um discurso já batido por políticos que estão no executivo em seu último ano de mandato. Essa soma de palavras e frases também é dita quando um governante está iniciando sua administração. A diferença é que naquele momento todos cultivam uma certa esperança pelo futuro, enquanto neste, tais depoimentos soam como eleiçoeiros.

O ponta-pé inicial de Lula rumo à reeleição foi dado com a Operação Tapa-Buracos, que causou polêmica entre os executivos federal e estaduais. Com os trabalhadores em andamento nas rodovias, alguns políticos não hesitaram em acompanhar a operação para aparecer bem na foto. Uma artimanha bastante conhecida pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que desde o início do governo Lula esteve longe dos holofotes da mídia.

A última pesquisa eleitoral do Ibope, encomendada pela revista Isto É e que sai publicada na edição desta semana, talvez tenha sido o fator de estímulo para caprichasse nas palavras. A pesquisa mostra que Lula supera todos os seus adversários no primeiro turno com 38% dos votos. Daí, o tom de arrancada e de otimismo rumo ao crescimento e ao desenvolvimento inconteste do país.

Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

Decisões oportunistas

Por Célio Oliveira

A intenção dos deputados federais de reduzir o recesso parlamentar é, inegavelmente, uma atitude merecedora de elogios. Continuar com o período de férias de 90 dias não é uma medida de bom senso. Até mesmo porque se contabilizarmos na ponta do lápis veremos que os nobres parlamentares só trabalham três anos em um mandato de quatro. Uma vergonha, como diria o Boris Casoy.

A proposta, que prevê a redução para 55 dias e que foi acordada entre os líderes dos partidos na Câmara, passaria por uma primeira votação hoje. Por se tratar de emenda à Constituição, necessitaria de um segundo turno. Mas tudo dependeria da decisão do plenário, que poderia antecipar o processo.

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PcdoB-SP), e o líder do PSDB, Alberto Goldman (SP), se anteciparam e afirmaram que este será o menor recesso parlamentar do mundo. Tentaram justificar os 55 dias ao comparar com as férias dos trabalhadores, que é de apenas um mês. Parece-me que qualquer justificativa neste sentido não faz qualquer sentido.

Outra importante decisão dos parlamentares esta semana foi a aprovação do fim do pagamento extra para convocações extraordinárias. Já não era sem tempo. Receber polpudos salários só para trabalhar alguns dias no recesso parlamentar é sem dúvida um descabimento sem tamanho.

Elogios à parte, percebo que os deputados começaram a lançar mão de expedientes nada honestos. Sendo um ano eleitoral, nada me faz pensar que não estão sendo oportunistas. Todos de olho no voto dos eleitores!